Acolhida aos abortados

 Embora aprendamos que a morte é apenas uma passagem, ao desencarnarmos, nem sempre lidamos tão bem com a nossa nova condição. Assim, apesar do aborto não ser um desencarne propriamente dito, e sim uma interrupção do processo de reencarne, a forma como o Espírito lidará com a circunstância dependerá de vários fatores, especialmente de sua condição moral e emocional. 


Nos casos de abortos involuntários, a situação do Espírito tende a ser menos problemática, visto que, muitas vezes, ele não está em condições de compreender o ocorrido, já tem consciência da possível descontinuação da gestação ou, simplesmente, entende que não houve, por parte de seus pais, a intenção de impedi-lo de reencarnar. 


Em abortos provocados (voluntário), por outro lado, a dor emocional gerada pela desistência dos pais é um aspecto muito significativo, principalmente quando já existia um laço de confiança entre os envolvidos. Com base no que aprendemos com a Doutrina Espírita, sabemos que não existem vítimas e algozes, pois todos somos seres em aperfeiçoamento e ora ferimos, ora somos feridos. Contudo, em um processo de aborto provocado, aquele que tem a sua reencarnação interrompida pode se enxergar na posição de vítima, trazendo dor e sofrimento não apenas a si, mas a todos os envolvidos na situação.


Independente da forma ou do período gestacional em que o aborto se deu, o Espírito que foi impossiblitado de reencarnar sempre é acolhido com muito carinho, passando por um estágio de sono reparador, no qual se recupera do trauma físico e tem a oportunidade de amenizar as suas dores emocionais. Após esse período, ao recuperar a consciência de si, esse irmão continuará a receber o amparo, mas já terá condições de fazer suas próprias escolhas.

Confira o posts Espiritismo Explica: Aborto involuntário (27/07/22); Aborto voluntário (30/08/23); Livre arbítrio (01/12/21); Carma (14/09/22); Vítimas e algozes (03/05/23).